sexta-feira, 18 de março de 2011

Que

Aperto na expectativa
sentimento de merda.
os olhos contornam o movimento da rua
procuram o contorno estreito
tão familiar
que divaga sobre essa cabeça que vos fala.
e no fim,
os olhos sem levantam
foi tão dramático!
olhos levantados que miram um poste de luz
onde cai uma chuva que ainda que fina
desce forte e intensa
e ao olhar todos os pingos juntos
aperta
lá
dentro
no fundo
os olhos espremem
mas a água deles só vêm depois.
tudo disperso
perdido
ainda que não há admissão
sei
tenho conhecimento
de todas as palpitações.
e não há brincadeira
nem negação
porque toda vez que se sente
na mente
os olhos que cravam
a boca que toca
a pele que roça
toda vez
(toda [in]feliz vez)
a costela
estranhamente
congela
arrepia
um frio
nunca sentido antes.
...não tão intenso.


Não nego
que sinto
que vêm
que dói
que entra
que come
que fode
que arrebata
que leva os olhos pra longe
que leva a mente para desconcentrar
e que dói
e que deixa
tudo assim
como todos os olhares que me deixaram até agora
ali na palma
caindo
aos pedaços.

domingo, 13 de março de 2011

não sei

pierrot diz:
não liga mais então, deixa ele vir atrás
colombina diz:
ele não vem...
pierrot diz:
e pra que vc quer alguém que não vá até você?

sábado, 12 de março de 2011

Adoro usar nomes como desculpa, mas dessa vez eu digitei sem querer. Tô rindo.






Caindo.

sábado, 5 de março de 2011

Sinceramente,

Eu não sei não. E ainda que eu não seja Saramago nem queira ser e nunca serei parecida eu vou falar assim sem vírgulas e corrente porque é assim que eu me sinto. Tudo bem que as linhas ficavam entre suspiros divagando sentimentos mas é no borbulho das coisas que tem sido que eu corro e apareço de surpresa pra mim mesma e sei lá que merda é essa de ser constantemente inconstante o que não deixa de ser uma constância, mas o que eu estou dizendo é que eu não reconheço e oras que estou sozinha outras estou de olhos arregalados mas estou sempre cedendo porque é assim que a gente aceita as coisas, as experiências, a vida e o que eu quero é vida, boy, é assim ó quando a gente abre a boca na garoa e deixa a água entrar, eu tô é de boca aberta pra essa tal dessa vida, eu tô sendo muito confusa? Tanto que não tem problemas se na minha mão ninguém pega, a vida chega até a boca e é com ela que eu falo, essa minha boca aberta que fala, que come, que sorri e que beija, sim, eu sei da risada também e eu sei porque você está rindo mas é desse jeito que eu reparo nas coisas, aliás, desculpa se eu reparo demais mas é assim que eu faço poesia na minha vida porque senão eu vou sucumbir e isso não tem nada haver com quem anda de boca aberta. Na verdade de mim não sairão certezas tão cedo ainda porque ninguém me da certezas mas acho bom me manter assim, a vida sempre chega, tu vens e eles vem também fica todo mundo e é loucura tão grande. Assim eu coloco esse sorriso e saio correndo, porque a vida vem, a vida vem. Sinceramente, eu sei que vem.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

tão eu

No fim,
dramatizando um pouco
é assim:
para rir
precisa bater
para bater
precisa ser fraca
que se entrega
e fecha os olhos
e esquece
e voa
vai pra longe
alta e seca.

No fim,
a cama está emaranhada
fria
a cabeça se confunde
na fragilidade de um corpo que tanto sacia
mas que tanto suplica
e não sabe
só exclama
e pula
e vibra
e procura
e sorri
ao toque.

No fim,
não sobraram
as estrelas de fevereiro
só escuridão
porque pulou
subiu pelas paredes
deu um sorriso cínico
e um até mais tarde.

No fim,
um bloco que se estende por uma avenida
de uma alma que nasceu numa sexta-feira de carnaval
e não sabe o que fazer
e não sabe onde ir
mas sorri
e ri falsamente
mas sorri sinceramente
porque (você vai rir)
o estômago pula.
(nem entendi direito)


No fim,
a chuva cai
na véspera de um aniversário
indeciso
sozinha
sóbria
tentando salvar
o que ainda resta
de bom da alma
nem que seja
pra pular na festa da carne humana.

tão eu, tão eu, tão eu, tão eu...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tudo Bem

Se a destruição acontecer
se o controle for perdido
se o impulso chegar mais forte
se as decisões forem erradas
se a rejeição tomar parte
se não achar que tudo vale por carinho

se
as coisas não saírem
as coisas não entrarem
se o nó apertar
se o estômago revirar
se não tiver engano
mas não tiver certezas
se não fluir
se não incrustar.


Tudo Bem.



desde que
fique,
perto e junto
deixando ver
a lua na fresta da janela
pra depois amanhecer com o sol fazendo pontos
na pele
e sorrir de perto
e fingir que é
ou nem fingir
mas esquecer que
nada é certo
esquecer que
existem os outros.
Tudo Bem,
mas fique.

deixa o olho mais claro na luz
e o movimento mais perto das mãos
se for assim
se for daquele jeito
ou daquele outro
se, se, se...Tudo Bem.

mas fique.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vazão

Saiu de controle
a paz
a calma
a destruição
a punição
a culpa...
...a culpa.

vem
dor
vem
sensível
vem
tocando
vem
mentindo
vem
verdades
que doem mais.

perda,
perda.
Dúvida, incerteza, indecisão.
Destruir, acabar, julgar.
Deixar, gostar, odiar.
Dar, receber, esquecer...lembrar.

Lembrar
todos os dias
o que não foi visto
no escuro
mas sentido
da silhueta
bonita.