Escrevi tanto aqui.
Apaguei, salvei no bloco de notas. Porque não faz sentido fazer o drama aqui e me punir mais tarde da mesma forma.
Mas que fiquem salvas as palavras.
me mate só por hoje e me acorde quando puder me beijar de verdade.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
.
"[...]porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? enquanto eu imaginar que "deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o modo de me acusar. eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de deus. eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. porque enquanto eu amar a um deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. enquanto eu inventar deus, ele não existe."
Clarice Lispector pelos dígitos de Bruno Ferreira.
fechando a noite.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
ode a ausência do tempo
Me dê meus tempos de criança e adolescência, qualquer tempo onde o tempo sobrava e dançávamos sobre ele.
Onde eu não precisasse correr e os passos lentos de observação me guiavam. Aonde eu não me irritava quando queimava tempos dentro do transporte público. Horários que me permitiam tomar café-da-tarde na frente da televisão e depois fazer uma lição de português da escola.
Eu choro muito doído por esse tempo. Tento odiar o tempo mas o que me consome não é o próprio, mas a ausência dele. Choro me sentindo culpada de gastar o tempo chorando. Vejo que crescemos e trabalhamos e pagamos, pagamos pelo tempo consumido, para sobreviver e no fim do mês vimos tarefas, dinheiro mas não vimos o mar, não vimos uma pomba lutando por pão, não ouvimos um velhinho contar uma história (de quando se tinha tempo).
Ignoramos, vivendo para consumir o tempo, ignorando o homem que dorme na rua, ignorando o deputado que te rouba, ignorando os juros, porque não temos tempo, não temos tempo de se preocupar com os outros, com as injustiças, com o caos.
Existimos.
Não comemos aquele bolo de chocolate inteiro porque não podemos engordar, porque não temos tempo para fazer exercícios, para andar de bicicleta, quiçá ir no cubículo do banheiro e bulimizar.
Não vemos mais as vacas, as galinhas, fica mais fácil mata-las, congela-las e fazer uma comida rápida, porque não temos mais tempo de aquecer um macarrão, de temperar uma salada.
Choro pela ausência do tempo que me tira a vida, me tira a respiração. Ausência do tempo que nos impede de amar, nos impede de nos relacionar, de querer, almejar e depois tocar;
nos impede os orgasmos múltiplos, nos impede de suar um fervor de paixão, nos impede...
Me dê lentidão.
"Temos nosso próprio tempo"
não tenho, não me pertence e eu não o domino. preciso comer, preciso dormir, preciso ascender na vida, tenho que abrir mão do tempo...Onde eu não precisasse correr e os passos lentos de observação me guiavam. Aonde eu não me irritava quando queimava tempos dentro do transporte público. Horários que me permitiam tomar café-da-tarde na frente da televisão e depois fazer uma lição de português da escola.
Eu choro muito doído por esse tempo. Tento odiar o tempo mas o que me consome não é o próprio, mas a ausência dele. Choro me sentindo culpada de gastar o tempo chorando. Vejo que crescemos e trabalhamos e pagamos, pagamos pelo tempo consumido, para sobreviver e no fim do mês vimos tarefas, dinheiro mas não vimos o mar, não vimos uma pomba lutando por pão, não ouvimos um velhinho contar uma história (de quando se tinha tempo).
Ignoramos, vivendo para consumir o tempo, ignorando o homem que dorme na rua, ignorando o deputado que te rouba, ignorando os juros, porque não temos tempo, não temos tempo de se preocupar com os outros, com as injustiças, com o caos.
Existimos.
Não comemos aquele bolo de chocolate inteiro porque não podemos engordar, porque não temos tempo para fazer exercícios, para andar de bicicleta, quiçá ir no cubículo do banheiro e bulimizar.
Não vemos mais as vacas, as galinhas, fica mais fácil mata-las, congela-las e fazer uma comida rápida, porque não temos mais tempo de aquecer um macarrão, de temperar uma salada.
Choro pela ausência do tempo que me tira a vida, me tira a respiração. Ausência do tempo que nos impede de amar, nos impede de nos relacionar, de querer, almejar e depois tocar;
nos impede os orgasmos múltiplos, nos impede de suar um fervor de paixão, nos impede...
Me dê lentidão.
"Temos nosso próprio tempo"
"somos tão jovens"
um jovem que precisa correr, precisa falar, aprender, ser culto, bonito, me dê um creme para o rosto, me deixe bonito, rápido, comendo o tempo porque o resto engorda.
Perdendo tempo.
domingo, 15 de agosto de 2010
Se em 5 minutos...
você tivesse que escrever sobre você para um desconhecido, o que escreveria?
Penso em me descrever. Me vem defeitos na cabeça. Gosto de rir. E quando as pessoas riem de alguma brincadeira minha. Mas também gosto de ser levada a sério: não sei de muita coisa mas, quando aprendo, gosto de compartilhar. Converso. Sorrio. Sou gentil. Sou crítica e nem sempre isso é bom. Tenho trabalhado a minha paciência e, principalmente, minha concentração: talvez eu esteja me comprometendo dizendo isso. Mas sou sensível. Com os sentimentos, com as coisas: observo detalhes, transcendo ideias. Reparo. Minha memória é ótima, modéstia parte. Sou capaz de perdoar, mesmo orgulhosa. Faço o bem, por altruísmo e por prazer. Curiosa.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
resenha: scar tissue
água: busca incessante pelo prazer.
eu gostaria,
eu pretendo,
eu usaria,
eu vislumbro,
eu pensei que,
eu desejo,
eu QUERO.
(in)satisfação.
Quando domino meu ego
insatisfaço. insatisFAÇO.
faço alguém feliz. perdoo. dou um sorriso.
igual à
caridade.
sem penas
sem dó
com amor.
vivendo e aprendendo
morrendo, suicidando e voltando a viver.
controlando, respirando, monitorando, responsabilizando...
...e vivendo.
na camada do ozônio.
injeta aqui,
que já me sinto como uma esfera que cobre o planeta-terra.
você é meu Buster.
nunca me viu daquele jeito.
meu cintilante olho saudável te agradece.
Acontece...
obrigada,
por acontecer.
Ficaram marcas
mas tirar casquinha de cicatriz é divertido.
vamos rir!
eu gostaria,
eu pretendo,
eu usaria,
eu vislumbro,
eu pensei que,
eu desejo,
eu QUERO.
(in)satisfação.
Quando domino meu ego
insatisfaço. insatisFAÇO.
faço alguém feliz. perdoo. dou um sorriso.
igual à
caridade.
sem penas
sem dó
com amor.
vivendo e aprendendo
morrendo, suicidando e voltando a viver.
controlando, respirando, monitorando, responsabilizando...
...e vivendo.
na camada do ozônio.
injeta aqui,
que já me sinto como uma esfera que cobre o planeta-terra.
você é meu Buster.
nunca me viu daquele jeito.
meu cintilante olho saudável te agradece.
Acontece...
obrigada,
por acontecer.
Ficaram marcas
mas tirar casquinha de cicatriz é divertido.
vamos rir!
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Sementalidade
Digitei "antidepressivo" no google para lembrar o nome de um e me apareceu um link com:
"Sêmen tem propriedade antidepressiva"
que prozac o quê!
"Sêmen tem propriedade antidepressiva"
que prozac o quê!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Peixes Estranhos
O Peixe olhou a isca e disse:
- Quero aquela minhoca!
O outro retrucou:
- Você está louco? Minhocas não são boas...sem contar que elas ajudam a terra, ou seja, elas são suicidas vindo aqui. Deixe que ela repense sobre seu suicídio, e depois voltem para terra. é o lugar delas! Não coma a minhoca, Estranho.
O Peixe achou engraçado a ingenuidade do outro e começou a dissertar:
- Esqueci que machucar a si mesmo, machuca os outros. porém, me perdi nesta selva de emoções e quando vi havia uma marca roxa no braço e não dava pra voltar atrás. Num estacionamento eu perdi a razão e fiz em dois minutos a quimioterapia de um câncer de dez anos. Hoje, eu penso na possibilidade de perdão libertador de almas.
Esqueci mesmo. Preciso de ajuda mas não quero ajuda. não quero que eles pensem que eu estou ficando louco e preciso ser amparado. não quero tratamento especial. eu poderia simplesmente ir a um daqueles médicos e pedir um Prozac. Eu tomaria, ficaria chapado e feliz, todos me achariam agradável. mas não seria eu. sempre me perguntei: "és uma pessoa ou um remédio?".
esqueci. esqueci que morder aquela minhoca é puxar todos para a beira d'água. todos perdem o oxigênio e vão perdendo a vida...então, eles se afastariam porque tenho uma energia negra pairando minha mente e não tenho limites. chorar dói. lembra das dores de meu corpo.
Tenho um arranhado no rosto, ao lado do meu olho direito. Fui eu que fiz isso. viu? sou maluco. eu tento me curar todos os dias. choro, ouço música clássica, faço meditação e me espelho nas pessoas serenas. Mas ai eles me cutucam e o pior acontece, daí eu acabo com a alegria de todo mundo. sou pouco inteligente quando o pior acontece. Eles dizem "eu to querendo te ajudar" mas é difícil ouvir. queria ser normal para não precisar de ajuda.
Apelo pro Prozac? Mordo a minhoca?
O outro espantado diz:
- Porque está dizendo sobre pessoas e tudo isso? o quê é isso?
O Peixe diz:
- É! Quer saber, amigo: a minhoca não é suicida. A intenção é que você a morda e se mate. Somos Peixes sensíveis, criativos mas muito vulneráveis aos cativos. Mordemos qualquer coisa...
é.
que pessoas o quê! Somos Peixes.
glub, glub...
- Quero aquela minhoca!
O outro retrucou:
- Você está louco? Minhocas não são boas...sem contar que elas ajudam a terra, ou seja, elas são suicidas vindo aqui. Deixe que ela repense sobre seu suicídio, e depois voltem para terra. é o lugar delas! Não coma a minhoca, Estranho.
O Peixe achou engraçado a ingenuidade do outro e começou a dissertar:
- Esqueci que machucar a si mesmo, machuca os outros. porém, me perdi nesta selva de emoções e quando vi havia uma marca roxa no braço e não dava pra voltar atrás. Num estacionamento eu perdi a razão e fiz em dois minutos a quimioterapia de um câncer de dez anos. Hoje, eu penso na possibilidade de perdão libertador de almas.
Esqueci mesmo. Preciso de ajuda mas não quero ajuda. não quero que eles pensem que eu estou ficando louco e preciso ser amparado. não quero tratamento especial. eu poderia simplesmente ir a um daqueles médicos e pedir um Prozac. Eu tomaria, ficaria chapado e feliz, todos me achariam agradável. mas não seria eu. sempre me perguntei: "és uma pessoa ou um remédio?".
esqueci. esqueci que morder aquela minhoca é puxar todos para a beira d'água. todos perdem o oxigênio e vão perdendo a vida...então, eles se afastariam porque tenho uma energia negra pairando minha mente e não tenho limites. chorar dói. lembra das dores de meu corpo.
Tenho um arranhado no rosto, ao lado do meu olho direito. Fui eu que fiz isso. viu? sou maluco. eu tento me curar todos os dias. choro, ouço música clássica, faço meditação e me espelho nas pessoas serenas. Mas ai eles me cutucam e o pior acontece, daí eu acabo com a alegria de todo mundo. sou pouco inteligente quando o pior acontece. Eles dizem "eu to querendo te ajudar" mas é difícil ouvir. queria ser normal para não precisar de ajuda.
Apelo pro Prozac? Mordo a minhoca?
O outro espantado diz:
- Porque está dizendo sobre pessoas e tudo isso? o quê é isso?
O Peixe diz:
- É! Quer saber, amigo: a minhoca não é suicida. A intenção é que você a morda e se mate. Somos Peixes sensíveis, criativos mas muito vulneráveis aos cativos. Mordemos qualquer coisa...
é.
que pessoas o quê! Somos Peixes.
glub, glub...
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